domingo, 16 de março de 2008

Arte Crime - Um Balanço

“E você só está aí falando por minha causa!”

Wolder Wallace

No texto de apresentação do Seminário Arte e Crime: Insubordinações ficava claro o enfoque temático que o seminário pretendia trazer para discussão: Ações artísticas e obras que devido ao seu caráter transgressor, crítico e político se situavam no limiar da ilegalidade. E já começou causando tumulto. Sucesso absoluto de público no primeiro dia, até lista de espera foi necessário para atender a demanda dos muitos espectadores que se acotovelavam desejosos para assistir às mesas de debate.

A partir do segundo dia a fluxo de pessoas foi se rarefazendo e no que me parece, as questões que realmente eram importantes de serem abordadas também. Entre mortos e feridos pouca coisa se disse e muito barulho se fez e muita gente saiu “queimada”.

Ações criminosas que a arte legitima e ações criminosas que a arte deixa de legitimar acabaram sendo o foco das discussões que se desenvolveram nos níveis mais profundos da epiderme. Bate-bocas, alfinetadas e lavagem de roupa suja de antigos carnavais puderam ser assistidas pelos presentes da forma que só uma comédia pastelão pode oferecer. “Atentado à bomba” é crime ou é arte? E por falar em atentado, acho que um dos maiores que sofri ultimamente foi: “Toda ação é vandalismo!”. Não é violência física, é violência intelectual! Sacomé?!

Mas não estava proibido o consumo de cigarros, cigarrilhas e afins dentro de prédios públicos? Queremos a legalidade das nossas ações! Bota essa coisa pra rodar! “E o haxixe ta bom?” Tempera a pizza e bota pra rodar também. A questão aqui não são os crimes que são cometidos salvaguardados pela arte e sim como o sistema da arte é capaz de tratar metaforicamente o ato criminoso. Será? Ou não? Ta parecendo papo da Tropicália, mas não tenho opinião sobre isso.

Ta pensando que viajar sem pagar é coisa de Europeu? Pois venha dar um rolé aqui em Recife e não esqueça dar um passeio no Joana Bezerra/Boa Viagem que sai do terminal de integração da Joana Bezerra às 5 da tarde pra você ver o que é vandalismo. Já que vai multar, anota aí a minha placa e manda a multa pelo correio. Pra andar de graça aqui tem que pagar! E voltamos à ilegalidade.

Só o artista tem o direito de modificar sua própria obra. Mas quando o próprio artista modifica a sua própria obra ele propriamente a modifica? Essa é apenas uma questão. A quem pertence a obra do artista? A ele? À Sociedade? À Instituição? Toda propriedade é um roubo! Vamos levar o Parangolé pra dar uma voltinha? Boicote! Se não agüenta por que veio? Quero roubar também pra poder ter cem anos de perdão e negociar meu terreno no céu na feira do troca-troca.

Falando em roubo, me parece que o medo de deixar o trabalho na superficialidade do discurso da ação criminosa está conseguindo desconstruir a imagem que eu faziam sobre alguns artistas. Mas vamos dar um crédito, foi uma noite conturbada. Depois da explosão, roda um “beise” só pra relaxar... Só não é arte por que não entrou no circuito. Quem manda querer fumar sozinho.

Do ponto de vista de cá, as “ações artísticas” e os “trabalhos” trazidos pela equipe organizadora do evento faziam uma crítica ao sistema social à medida que discutiam como o sistema das artes legitimava num circuito de legalidade e resgatava da esfera marginal atos criminosos. Já as “ações criminosas” que foram realizadas voluntariamente durante o período do seminário me levam a pensar nos crimes cometidos pelo sistema legitimador da arte que acaba por classificar algumas ações como marginais e outros como “heróicas”.

– Mas o que você realmente quis dizer com a sua ação?

– Só falo na presença do meu advogado!

2 comentários:

Ocio disse...

Plac, plac, plac (som de aplausos)!!!

:P

Zay disse...

Uh-hú!!!!!!

Eu devia ter ido!